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Crise bancária leva presidente do Paraguai a renunciar em meio a processo de impeachment

há 8 horas
2 min de leitura

Colapso do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso imediato às suas economias, provocou uma grave crise política e aumentou a pressão sobre o governo de Santiago Peña.


O Paraguai enfrenta uma das maiores crises políticas e financeiras dos últimos anos. Nesta quinta-feira (5), o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia ao cargo, em meio à repercussão do colapso do Ueno Bank, instituição financeira que entrou em processo de intervenção após problemas identificados em sua situação econômica.


A crise ganhou proporções nacionais depois que a instituição, que atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes, teve suas operações interrompidas, deixando milhares de pessoas sem acesso imediato às próprias economias. O banco também mantinha em seus depósitos cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores ligados ao sistema previdenciário e a outros órgãos do Estado.


A situação provocou protestos, preocupação entre correntistas e uma forte reação da oposição. O Banco Central identificou irregularidades e problemas nos indicadores de solvência da instituição, especialmente relacionados a operações de crédito envolvendo empresas ligadas aos seus proprietários.


O episódio ganhou ainda mais repercussão política devido à ligação empresarial que Santiago Peña manteve com o grupo controlador do banco. O presidente foi acionista da holding proprietária do Ueno Bank até março de 2025, circunstância que passou a ser questionada por adversários políticos e ampliou as cobranças por explicações.


A pressão chegou ao Congresso paraguaio, onde parlamentares discutiam a abertura de um processo de impeachment. A crise também provocou o afastamento do então presidente do Banco Central e a detenção de executivos ligados à instituição financeira, enquanto as autoridades ampliavam as investigações sobre possíveis irregularidades.


Ao anunciar sua decisão, Peña afirmou que a renúncia tinha como objetivo preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. O então presidente também pediu desculpas à população e manifestou preocupação com a situação dos clientes que tiveram seus recursos bloqueados, defendendo que os valores sejam devolvidos.


Pouco depois do anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura do processo de impeachment, em uma votação que demonstrou o isolamento político do presidente. A sucessão deverá ser conduzida conforme os procedimentos constitucionais, com o vice-presidente Pedro Alliana como nome previsto para assumir o comando do país.


O caso ultrapassa os limites de uma crise bancária. A queda de uma instituição financeira de grande alcance, associada a questionamentos sobre relações entre interesses privados e estruturas públicas, colocou em discussão a fiscalização do sistema financeiro, a transparência na gestão dos recursos públicos e a responsabilidade das autoridades.


Para o Paraguai, o desafio agora será restabelecer a confiança da população, garantir a proteção dos depositantes e esclarecer as circunstâncias que levaram ao colapso do Ueno Bank. A crise deixa um alerta sobre os impactos que problemas de governança e fiscalização podem provocar não apenas na economia, mas também na estabilidade política de um país.

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© 2022 por Fabio China

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